Review Anime – Ano Hana: A flor daquela época

Dê uma nota para o tema da review: 
0 votes, average: 0,00 out of 50 votes, average: 0,00 out of 50 votes, average: 0,00 out of 50 votes, average: 0,00 out of 50 votes, average: 0,00 out of 5 (0 nota(s), média: 0,00 de 5)
Você precisa estar logado no site para dar uma nota.
Loading ... Loading ...
3 (Regular)
Review Anime – Ano Hana: A flor daquela época

“Naquela época…”. Um anime extremamente dramático que traz pesares. Um anime sem spleen mas com muito choro. Um anime polemicamente bom.

Eu precisei fugir do meu padrão de escrita e me organizar melhor para falar de Ano Hana. São tantos sentimentos, uma tamanha divergência de emoções, um jeito comovente de demonstrar inocência, nostalgia, imagens simples, bom enredo. E aqui temos mais uma análise construtiva de uma obra realmente bem acabada, um anime que dá o que falar.

Qual anime melhor para entrar no Top 10 das choradeiras que Ano Hana?

Sabem a força que a palavra ‘bonito’ pode adquirir? Acho que nesse anime ela neutralizou toda a negatividade envolta de si e transformou em deslumbre, junto de uma OP tão simplória quanto seu andamento.

Ainda que o primeiro episódio seja complicado e não fale muito, Ano Hana surpreende com suas cenas inusitadas. De início temos um primeiro minuto de anime que faz referências “sexuais” leves. Referências de o anime ser um shounen com uma pitada de louvor. Mas, como todos percebem ao longo do anime, são cenas iniciais para colocar nada e nada sobre as propostas de Ano Hana. Com sugestões preliminares bagunçadas, no decorrer de qualquer “arco” há como ter ruma noção do final do anime, cheio de lágrimas.  Já vou falar de cara, o final é exagerado e quase despretensioso. Para muitos é um elemento chorante que casou bem com a série. Para tantos, foi algo desnecessário que poderia ter sido levado mais a sério. Contudo, há cenas que são realmente comoventes de um modo a não futilizar a mente de quem esperava um bom drama. Sem falar muito desse ponto agora, não é meu intuito por ora dar spoilers.

A história de Ano Hana, como obra, iniciou e terminou em um mesmo ano, 2011. Uma novel e um anime que se encontraram em termos de lançamento, o que reflete no repentino sucesso de uma obra aprazível. Mesmo que não agrade a muitos, principalmente os críticos que dirão que a série apela para o feeling, a maioria das pessoas que virem a obra vão se comover e recomendar imediatamente a algum amigo. Este, por sua vez, verá a obra, gostando ou não. Esse êxito do anime tornou a obra bem sucedida, pois, mesmo depois de um ano, ainda há a exploração da franquia para um mangá, que está em andamento, uma visual novel e um filme. O filme é previsto para a primeira metade de 2013 e o game de PSP, coincidentemente, foi lançado em 30 de agosto.

Bem, para resumir, Ano Hana conta a história de seis amigos. Ou seis ex-amigos. Menma, Jintan, Analu, Yukiatsu, Tsuruko e Poppo. Todos esses são apelidos carinhosos inventados pelos próprios. Eram muito próximos um do outro, adoravam brincar, explorar e ajudar as pessoas. A partir disso invetaram um “clube” chamado Os Super Protetores da Paz. Todos tiveram uma infância agradável, juntos, vivendo aquela inocência próspera, onde os conflitos giravam em ‘quem vai ficar com mais balas?’. Apesar disso, como qualquer ser humano, eles enfrentaram emoções negativas, principalmente rodeadas pela inveja entre um e outro. O que indiretamente fez com que, por ocorrentes eventos, Menma morresse em um acidente ao cair de uma cachoeira.

Em nenhum momento do anime o termo ‘morte’ fica evidenciado como ‘mundano’. Digo, todos os personagens sentem sim um remorso, uma culpa pela morte de Menma. Mas, com algumas exceções óbvias, todos passam 11 episódios aflitos por suas memórias em relação à garotinha.

Bem, o que acontece de mais relevante diante disso é o fato de Menma voltar. Isso, ela aparece na casa de Jintan, provavelmente como o espírito físico (?) dela. A razão de ela estar ali e as consequências envolvem muitos spoilers! Contudo, o fato é que depois da morte de Menma os outros cinco amigos foram se separando. Cada um criou em sua mente hipóteses sobre o ocorrido e definições sobre o afastamento do grupo.

Como animação, Ano Hana é simples e não mostra consideráveis erros. Pode ser agradável se você prestar atenção apenas à história e deixar o resto transparecer.

Como roteiro, é ótimo. Só que talvez não. Uma história que tenta desde o início mostrar um bom slice of life, realçando muitas emoções dentre os personagens. E nesse ponto tudo fica lindo e especialmente comovente. Mas a forma como isso vai passando exagera cada vez mais qualquer teoria sobre o anime ser coerente. Todos os personagens, sem exceção, são extremamente instáveis psicologicamente, fazendo com que coisas insanas aconteçam.

O único que pode ver Menma é Jintan, o principal protagonista da bagaça. E isso faz com que alguns sintam inveja; outros vêm como algo interessante; mas todos acham ele completamente maluco por isso. Mesmo que a progressão dos acontecimentos faça com que o restante do grupo passe a ‘acreditar’ em Jintan, não é o bastante para eles aceitarem a loucura dele. A única coisa que fica enfatizada por isso é que todos eles são emocionalmente fracos.  Principalmente porque, se alguém que tem tendência a se desestabilizar começar a delirar com espíritos de uma pessoa querida, nossas primeiras reações são de que esse alguém está de gozação; ou é de se preocupar que ele esteja com problemas neurológicos.

Quanto à música, há um ponto interessante. A trilha sonora não é algo que se destaque, é bem comum. No entanto, o feeling deixado pela abertura é extraordinário, uma sensação nostálgica melhor do que o anime em si. Tanto a musicalidade com a voz calma de Yuuki Ozaki, da banda Galileo Galilei quanto a estética. E o encerramento é interessante. Apenas a música, pois as imagens retiradas dos próprios episódios e uma outra execução mal feita com flores fica ‘nhé’.

Com um enredo desses, vale a pena falar sobre Ano Hana apenas em consideração a seu sucesso. Ainda que algumas cenas passem exaustivamente uma sensação de monotonia e anti-progressão, realmente há uma emoção transmitida aos poucos. Uma emoção plausível, que é quebrada em um final um tanto apelativo.

Há três personagens que são notoriamente desequilibrados. Estes não vão ao/não se importam com o colégio, aceitam facilmente as sobrenaturalidades etc. São Jintan, Poppo e Analu.

Menma é aquela personagem moe, fica brincando o tempo todo, é ingênua e chora bastante. O contexto criado para ela estar ali foi estranho e apenas promoveu esse seu lado infantil, seu único lado, na verdade. Menma voltou para este mundo alguns anos depois de sua morte, e ela retornou com a aparência de quem cresceu normalmente. Mas apenas fisicamente, pois seus pensamentos ainda são infantis, sua memória e fraca e ela passa o anime sem ao menos saber qual é seu objetivo ali.

Enquanto isso, Yukiatsu e Tsuruko, esta última mais chamada de Tsurumi no anime, ao menos vão à escola. Os dois têm uma sina mais intelectual, uma relação íntima e tudo o mais. Mas não vêm um caminho na qual seguir em suas vidas, muito em razão de terem medo do passado, ainda mais agora que Jintan estava, supostamente, delirando.

Os primeiros episódios são bons. A aproximação do grupo tenta fazer com que todos ajudem de alguma forma, seja apenas presenciando a situação ou trabalhando arduamente. Poppo e Jintan são os que ficam mais entusiasmados com a situação, apesar de ser triste. Ninguém sabe o que Menma faz ali, todos apenas têm em mente que devem fazer algo para que ela descanse em paz e os deixe para trás, crescendo espiritualmente. Diante disso, Menma se mostra apenas uma criancinha que ficou ressentindo um passado próspero. E as falas dela afetam todos, tentando aproximar pessoas que já deveriam ter se abandonado completamente há tempos.

“Meu desejo só será realizado se todos estiverem juntos!”

“Antes foi antes. Agora não importa mais.” - Menma, ep. 6

Apesar de ela ter um jeito agradavelmente moe, seus desejos são mais egoístas do que Jintan propriamente diz. Nosso protagonista diz que Menma pensa muito nos outros e isso acaba sendo irritante. Porém, ela passa boa parte da série dizendo: “Jintan, realize MEU desejo. EU quero que todos estejam juntos. Quero que todos lembrem de MIM.”. Claro, é fácil sentir pena dela muitas vezes, por ser um reflexo espectral de uma garotinha morta precocemente, que vaga por aí sem ter atingido o nirvana e não podendo descansar em paz; além de não compreender nada de nada, nem seus próprios anseios. Mas Menma acaba a tornar-se uma personagem azucrinante, visto que não comete muitas atos de produção na série. Mas, acima de tudo, ela é quem traz a proposta emocionante, que no final é melancólica.

~A partir daqui há alguns spoilers!~ xD

Inicialmente, Jintan aparenta ser um cara que pouco se importa com os outros. Não é visto com bons olhos por ninguém de sua comunidade. Tanto por ter a ausência de uma figura materna em casa, assim como 90% dos protagonistas do mundo animístico, o que faz com que não se importe em fazer nada a não ser jogar um vídeo-game de vem em quando.

E um dos fatos mais estranhos de suas relações familiares e de amizade, é quanto a seu pai. Sem contar os seis personagens principais, este talvez seja o que mais interage com a história. Ele tem em mente que Jintan deve sofrer bastante por todo o contexto de sua vida e se torna um pai liberal. No entanto, ele está sempre com a auto-estima para cima, não xinga Jintan, não o repreende e nem ao menos discute, mesmo o garoto nunca indo à aula. Eu senti mais pena por Jintan não dar a mínima atenção ao pai do que de Menma, por exemplo. Afinal, um homem que perde sua mulher e vê o filho sempre triste também deveria se desestabilizar às vezes. Mas ele sempre procura com o termo ‘kawaii’ amenizar qualquer situação.

Enquanto isso, Jintan, apesar de realmente ter uma vida um tanto sofrida, reclama por ter que interagir com pessoas. Se queixa por estar sempre muito quente, por haver o barulho das cigarras o importunando… Contudo, ele ainda consegue ser o mais são dos Super Protetores da Paz.

Bem, Yukiatsu, assim como Jintan, gosta de Menma. Os dois viveram e ainda aturam uma rivalidade indireta, onde Yukiatsu briga com Jintan de um modo infantil e que apenas ele percebe o que está ocorrendo nas situações.  Até porque todos sabiam que Menma, se fosse para escolher quem gostaria mais, diria que prefere Jintan. Yukiatsu é tão descontrolado que uma vez ou outra cometeu atos enlouquecedoramente impulsivos. Como aluno exemplar e aparentemente o mais intelectual menino do grupo, era sua incumbência mostrar sanidade e o mínimo de consideração com seus amigos. Porém, ao invés de disso, ele compra roupas femininas iguais às de Menma para se vestir como ela, como um forte ato de insânia. E em uma das reuniões feitas entre os, agora apenas cinco, membros dos Super Protetores da Paz, ele se travestiu desse jeito, até depilou as pernas. Apenas para causar conflitos e perturbação aos amigos. Tudo graças ao seu incrédulo e invejoso jeito de lidar com a superioridade de Jintan.

Enquanto isso Analu e Tsuruko também vivem amores não correspondidos. Como fica óbvio desde o início, Analu tinha uma queda por Jintan assim como Tsuruko sempre gostou de Yukiatsu. Analu sempre se mostrou aquela garota que não entende muito de seus próprios sentimentos, às vezes se desespera em palavras sem perceber… Por outro lado Tsuruko é séria, percebe que nunca teria chance com Yukiatsu, tendo Menma em primeiro e, caso ele não conseguisse ficar com ela, a próxima da fila seria Analu. Mas Tsuruko se mostra prepotente consigo mesma (existe isso?) ao deixar o fundamental sentimento por Yukiatsu de lado. Sem contar que ela, mais que Analu, sente uma inveja tremenda de Menma por estar em terceira na lista de Yukiatsu…

E onde Poppo entra na história? Como o personagem “menos importante”. Na verdade o anime precisava fazer com que houvesse algum tipo de conflito mental entre ele e a atual situação que os amigos viviam, a volta de Menma. O que aconteceu é que Poppo, no dia em que Menma morreu, a viu descendo córrego abaixo enquanto estava pasmo sem saber o que fazer!

Com isso, Poppo imaginou ser o verdadeiro culpado pela morte de Menma, sabendo ou não se ela já estava morta quando ele a viu. Não apenas ele, cada um dos cinco amigos imaginaram que tiverem sua parcela de responsabilidade por Menma ter ido. E foi o suficiente para decidirem ajudar, em termos, Jintan a realizar o desejo de Menma.

A história é a seguinte: em um dia de puro ócio, os seis amigos Super Protetores da Paz estavam brincando como sempre. Em determinado momento, pararam para conversar na sua base secreta. E Analu começou tudo, perguntando se Jintan gostava de Menma, com aquele ar de “não é?”. Yukiatsu interviu e disse para ele admitir de uma vez. Yuki, mais do que todos, estava curioso para ver qual seria a reação de Menma dependendo da resposta de Jintan. Poppo ficou pressionando-o, daquele jeito de amigo que fica avacalhando, sem intenções de magoar ninguém. Jintan se sentiu realmente desconfortável e constrangido. Então disse que nunca gostaria de uma menina feia com-. Não pôde terminar sua frase depois de perceber o que tinha dito. Ao olhar para Menma, ao invés de chorar como sempre faz, ela deu um sorriso falso. Isso atingiu todos, principalmente Jintan, que saiu correndo. Menma também saiu correndo e acabou morrendo ao cair de certa parte da montanha lá… Na verdade, quem desencadeou tudo foi Tsuruko, pois foi ela quem disse à Menma que Analu estava tentando descobrir de quem Jintan gostava, o que começou toda essa discussão. É, esse é um pequeno resumo de histórias de amor complexas entre seis crianças com desvios de mentalidade igualmente complexos.

Ou seja, Menma só voltou para mostrar a todos eles que são loucos e para fazer voltar seus piores sentimentos. Para evidenciar que todos criaram personalidades voltadas a esconder o que realmente são. Ao mesmo tempo, puderam refletir sobre tudo isso e admitir, de uma vez por todas, o que achavam um do outro, qual a posição que tinham nessa relação extremamente lunática.

Enfim… O andamento dos episódios é progressivo. Em nenhum momento o slice of life aparece para contar aleatoriedades ou proporcionar alegrias. É sempre o drama em primeiro lugar ou de plano de fundo. Esperando para atacar enquanto ficamos sabendo a todo o momento sobre assuntos relevantes em relação a cada personagem.

Para finalizar o Caso Menma, todos tiveram a ideia de soltar fogos de artifício, que era uma coisa que ela gostava muito e tal. Isso faria com que ela desaparecesse, descansasse em paz. E, então, foi promovida uma homenagem desse tipo onde a família de Menma também fora convidada. E no final todos puderam ver Menma, choraram mais que demasiadamente, e é difícil, mesmo sabendo que aquele exagero não é condizente com uma realidade, não chorar também vendo Ano Hana.

Como execução, Ano Hana consegue ser bem interessante. Se houve algum ponto realmente estressante foi aquele último episódio, que ao mesmo tempo foi muito bom. Até porque, depois que Menma desapareceu, Jintan contou aquele breve epílogo comentando sobre suas vidas daqui para frente. Afinal, acima de tudo, eles têm uma vida a viver. E um dos fatores que ficou estranho em Ano Hana foi exatamente todos eles se prenderem muito ao passado. Tudo é explicável, mas, mais uma vez, exagerado. Por fim, vimos cada um dos personagens vivendo isoladamente. Quer dizer, Yukiatsu e Tsuruko ainda com uma certa proximidade. Jintan e Analu com aquela relação que, em termos reais, se dissiparia com o passar do tempo, se tornaria um afastamento. E Poppo continuou viajando por aí, sozinho. Foi bom porque Menma não apareceu neste epílogo, mostrando que todos de alguma forma superaram essa fase de suas vidas. Mesmo que venham a ter uma relacionamento ameno, o certo seria não se virem mais, crescerem em todos os sentidos. Um final implicitamente bom. E como um todo Ano Hana é uma recomendação! Ja ne!

Gostou do texto? Curta nossa Fanpage!

3 comentários

  1. Gabriel Augusto disse:

    Concordo plenamente com esse post, penso que a aparição da Memma foi para resolver algo que os cinco, apos a morta da Memma, jogaram para debaixo do tapete mas mas nunca esqueceram pois foi tragico demais, levando em conta que eram apenas crianças na epoca, e tbm acho que enquanto não resolvessem esse assunto não iam amadurecer, pois, como ja descrito tem uma parte que todos, os cinco, se reunem para falar dos seus defeitos e falarem mal um do outro, tipico conflito de jovens entrando na fase adulta.
    Nessa parte eu achei que se tirasem as lagrimas mas deixasem um sentimento triste no ar seria mais realista, pois, não deixa de ser verdade que as vezes nos escondemos nossa opnião com relação aos nossos amigos para não magoa-los e não sermos magoados.
    E o final realmente pode ate ter sido um pouco exagerado, mas quando vc se coloca no lugar deles vc sente um pouco triste tbm e não ha como evitar deixar uma lagrima cair

    Responder
    • caetanosanguine

      Exatamente! Pode haver, sim, a apelação, mas ela acaba sendo confortável e faz jus a tudo o que eles sentiram. A Menma acaba sendo uma personagem bem chata e a que menos damos importância. Pelo menos até o último episódio…

      É, não pode se dizer que o anime seja fiel ao realismo, mas consegue tirar algumas lágrimas! Até porque eles guardaram aquela sensação de culpa por muito tempo, mesmo que o anime tenha exagerado quanto a isso.

      Responder
  2. Quick Animes disse:

    Desse anime pode-se tirar varias lições de vida… pena que alguns fãs de animes não assimilam isso com facilidade, adorei o review, parebens caetanosanguine!

    Responder

Escreva um comentário

2011-2018 .::. Top10animes. Política de Privacidade | DMCA (English).
 "Um filme só é bom quando, este, depois de 20 ou 30 anos ainda mexe com as pessoas que o assistem" - Hayao Miyazaki